passear mutuamente a solidão
temos para já isto em comum: podemos
passear mutuamente a solidão. seguro as nozes
entre os dedos partes num sussurro chegam
os pedreiros a fio de prumo uma equação impenetrável
atrás da janela um barco adiando o seu adeus. assim
se erguem os ladris quando regressares amanhã
uma frase adormecerá no sofá – sim, até porque
ele é um bom estratega – disseste, ficarei sentado
com o copo na mão olhando o jardim e verificando
a três um jogo de dois. esbate-se o som do ferro
sobre a pedra. pela tua janela risco definitivamente
a folha de papel fabricando barcos lagos cisnes
velhos morrendo pelos bancos e um puto a
reconstruir remoinhos
a partir do dedo. podia gozar com a tua frase
ou deitá-la ao tanque, os cisnes abrindo e fechando
o bico, muito rapidamente. de qualquer forma
ele nem sequer é um bom estratega, o barco
afunda-se rapidamente. despedir reaparecer
desaparecer despir depois de adormecer. amanhã
os pedreiros regressarão ao seu caos de cimento
desalinhando em toda a parte vestígios
de um jogo a dois três ou mesmo dois.
