faltavas tu
era um sono meio in-
completo faltavam tu-
lipas mas era o tempo futuro onde
me seria dado habitar. os humanos
transportavam uma arquitectura
muito cheia de relíquias. os humanos
eram tudo o que tinham aprendido
a ser. aproximavam-se dos seus deuses interiores
embora a perfeição não fosse um lema e se buscasse
uma feição ainda mais perfeita
à imitação do pretérito das folhas
e das árvores.
era um sonho in-
completo faltavas
tu. li pas-
sos assim em livros antigos
o que é a contemporaneidade mais que o en-
velhecimento da antiguidade?
era um sonoleio im-
bricado. torci-me todo
na cama sem lençóis sem cama
sem ti estando ali, tu
a meu lado. a sabedoria
torna-se improvável nestas
circunstâncias e teria sido bem melhor
desertar, meio a dormir, a boca remoendo
e sabendo a tulipas
negras lendo os teus passos.
