ainda há gente para tudo
tinha uma calma totalmente controlada quero
dizer: por dentro fervia mas deitava fora
a tranquila fotografia dos veados numa tempe-
ratura calma ausente de cios. chegou
e já tinha ido. eu nem queria já sequer
querer
mordiscando uma perspectiva vulcânica
a língua lambendo a lava. fomos por um passeio
e tentei convencê-la: você está perante
um poeta eu nunca acreditara nisto
mas não há nada como descrer
para convencer
eficazmente ela chamava-me já pelo nome
um chui veio moer café neste moinho
o aquecimento era sobretudo telefónico
deixo-me de estórias e vou-me embora a rapariga
fica-se a acreditar este gajo era mesmo poeta
ainda há gente para tudo.
